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  • Mariana Gabrijelcic

Síndrome de Burnout não é “frescura”: saiba como ter mais equilíbrio entre carreira e maternidade

Ter aquela sensação de que a sua “bateria” acabou, de que toda sua energia sumiu e no lugar dela ficou apenas um sentimento não só de cansaço, mas também de irritação, de desmotivação e de improdutividade.


Acontecer isso uma ou outra vez é normal, sobretudo nessa época de pandemia em que estamos vivendo, na qual temos que equilibrar carreira e maternidade em meio ao home office ou retorno gradual ao escritório. Porém, se isso tem acontecido com frequência, há bastante tempo, pode ser mais do que somente um típico “dia cheio”.


Eu já tinha ouvido falar em Síndrome de Burnout, mas nunca tinha me aprofundado no que realmente ela significava. Agora com a pandemia, essa palavra começou a aparecer mais seguido nas minhas leituras e também tenho observado diversos comentários sobre como as pessoas, especialmente mulheres/ mães, tem se sentido esgotadas, pressionadas e muitas vezes “infelizes”.

Não acho que devemos generalizar e, longe de mim, diagnosticar ou justificar todos os cansaços como uma síndrome, mas a leitura e reflexão vale como conhecimento e também alerta para todos nós. “Burnout”, na sua tradução, significa esgotamento ou combustão total, chama que se consome por completo e apaga. A síndrome foi recentemente oficializada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença crônica e está relacionada a fenômenos ligados ao trabalho, mas acaba afetando outros âmbitos da vida.


Chegar no supermercado e não conseguir pensar em qual marca de produto escolher, sentir-se perdido até mesmo para decidir coisas simples do cotidiano. Segundo pesquisa da Isma-Br (representante da International Stress Management Association), a síndrome se caracteriza por três elementos: “sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados ao trabalho e eficácia profissional reduzida”. Especialistas afirmam que, muitas vezes, ela é desencadeada pela pressão no cumprimento das metas, jornada de trabalho excessiva, ambientes de trabalho tóxicos e relações abusivas.


Os sintomas podem incluir:


* Agressividade;

* Isolamento;

* Irritabilidade;

* Mudanças bruscas de humor;

*Lapsos de memória;

* Ansiedade

* Baixo Autoestima.


Além disso, dores de cabeça, insônia, gastrites e palpitações também podem apresentar-se como sintomas físicos associados à crise.


Para o especialista em Recursos Humanos Marcelo Braga, a pressão nas organizações e o ritmo de trabalho tem aumentado muito. “Com o reconhecimento da síndrome, os departamentos de RH vão precisar entender o tema e contribuir para mudar essa cultura de que estresse oriundo do trabalho é apenas frescura”, explica.


É muito importante que todos estejamos atentos a esses sintomas, uma vez que não só os profissionais são afetados por essa situação, e sim a empresa, a família e o círculo de amigos. Como mencionei no início, percebi muitas mulheres comentando sobre como essa pandemia está sendo “pesada” pelo fato de estarem com suas jornadas excessivamente carregadas de atividades.


São metas de trabalho, reuniões online, prazos para cumprir, misturados com atividades da casa, aulas online (com hora marcada), temas e provas dos filhos com prazos, almoço, lanche e jantar. Li em alguns comentários até reclamações sobre o trabalho home office, mas vale lembrar, que o que vivemos hoje é algo atípico e não caracteriza exatamente o home office, e sim o trabalho temporariamente sendo feito de casa, de forma adaptada e, muitas vezes, sem a organização e planejamentos necessários.


Como profissional e mãe, quero deixar o alerta sobre esses sintomas, mas também deixar a sugestão de parar por algumas horas, respirar e programar sua rotina vai ajudar. Sei que o tempo é curto para tantas demandas, mas crie metas de lazer, ter um tempo só para você, seja para ler um livro que goste, assistir uma série ou tomar um banho demorado é tão importante quanto as outras tarefas.

Não adianta querer fazer tudo ao mesmo tempo. Monte uma lista com as atividades que você precisa cumprir, separando o que é urgente do que é importante e organize melhor os seus horários. Se você pode fazer algo agora, faça: a sensação de uma atividade cumprida é sempre motivadora.


Se a rotina te incomoda, contudo, mude de vez em quando. Crie outras formas ou até mesmo mude sua mesa de lugar. Eu mesma, muitas vezes, ao invés de ficar fechada no meu escritório, pego uma mesinha auxiliar e vou trabalhar na sacada da minha casa, ao ar livre. E nunca esqueça: não somos e nem precisamos ser “mulheres maravilhas”. Divida tarefas, converse com seus parceiros e compartilhe seus sentimentos.


Todo dia é dia para nos reinventarmos e todos somos capazes de nos adaptarmos. Porém, para isso, precisamos buscar equilíbrio entre carreira e maternidade, ter autoconhecimento e saber reconhecer nossos limites físicos e emocionais, para assim evitar que a nossa “bateria” se esgote por completo.


Mariana Gabrijelcic é diretora e co-fundadora do MamaJobs, publicitária e mãe do Lorenzo e do Matheus


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